
Este blog surgiu como um texto-resposta. Quis procurar, para mim mesma, a resposta desta pergunta e encontrei: primeiro, porque me foi indicado pela Alice do país das maravilhas. E jamais excluiria uma indicação dela. Segundo, porque pesquisando sobre a obra, descobri que é quase uma bíblia das mulheres modernas, alias, atuais, já que nem todas são modernas. Uma vez que ‘a mulher moderna é um borrão de atividade’(Aqui um parênteses: as páginas estão citadas conforme a edição da Rocco, 94 - tradução de Waldéa Barcellos) (pág. 15)) Quis ver o que de tão especial havia neste que não pretende ser um best-seller nem um autoajuda, mas sim apresentar um panorama de mitos e histórias do arquétipo da mulher selvagem que são passados de gerações em gerações principalmente por via oral, entre famílias de diferentes partes do mundo que refletem a situação da mulher de diferentes formas e situações - através, portanto (e também), da literatura. E transformou-se em algo que quis publicar depois de pensar que as mesmas dúvidas e inquietações que eu tinha/tenho podem ser de tantas outras mulheres/lobas.
Minha matilha está silenciosa e quase que esqueço como é andar de quatro patas. Inclinada ao horizonte, longe longe, observo apenas o que me é necessário à sobrevivência. Por isso coloco aqui uma primeira experiência em relação ao contato inicial com a obra. Quando li sobre a autora e descobri que ela era junguiana, fiquei pensando em que parte do mundo ficaria este país... rsrsrs Bom, felizmente, descobri que alguém junguiano é quem segue a filosofia de Jung...
O livro é dividido em quinze capítulos, todos versando sobre “o aspecto arquetípico, o intuitivo, o sexual e o cíclico, as idades das mulheres, o jeito de ser mulher, a sabedoria da mulher, seu fogo criador.”(pág.18) Intitulando essa divisão de “A generosidade da mulher selvagem: as histórias”, Clarissa Pinkola Estés apresenta-nos palavras-chave seguidas de dois pontos, e onde esperaríamos uma explicação sobre os temas apresentados, quase todos de forma subjetiva, encontramos mais subjetividade e integridade aos mitos analisados nos capítulos referentes.
1) O uivo: a ressurreição da mulher selvagem;
2) A tocaia ao intruso: o princípio da iniciação;
3) Farejando os fatos: o resgate da intuição como iniciação;
4) O parceiro: a união com o outro;
5) A caçada: quando o coração é um caçador solitário;
6) A procura da nossa turma: a sensação da integração como uma bênção;
7) O corpo jubiloso: a carne selvagem;
8) A preservação do self: a identificação de armadilhas, arapucas e iscas envenenadas;
9) A volta ao lar: o retorno ao próprio self;
10) As águas claras: o sustento da vida criativa;
11) O cio: a recuperação de uma sexualidade sagrada;
12) A demarcação do território: os limites da raiva e do perdão;
13) Marcas de combate: a participação do clã das cicatrizes;
14) La selva subterrânea: a iniciação na floresta subterrânea;
15) Agir como sombra: canto hondo, o canto profundo.
Além dessa divisão, encontramos um prefácio, no mínimo, convidativo a todas que ainda conseguem antenar as orelhas, quando cheira a seiva de um mato:
Todas nós temos anseio pelo que é selvagem. Existem poucos antídotos aceitos por nossa cultura para esse desejo ardente. Ensinaram-te a ter vergonha desse tipo de aspiração. Deixamos crescer o cabelo e o usamos para esconder nossos sentimentos. No entanto, o espectro da Mulher Selvagem ainda nos espreita de dia e de noite. Não importa onde estejamos, a sombra que corre atrás de nós tem decididamente quatro patas.
Clarissa Pinkola estes.
Na próxima publicação falarei sobre: a introdução: Cantando sobre os ossos, e ainda não pensei em como estruturar as próximas publicações. Convido a vocês, a me sugerirem, uma trilha nesta que se torna(rá) cada vez mais obscura, à medida que venho desvendando-a com minhas experiências, relacionadas ao que leio de Clarissa.
O blog deverá ser completo com a interpretação dos quinze capítulos, e como se fosse o tapete da Penélope. Voltarei aqui, sempre que quiser buscar um refúgio ao meu enfrentamento atual: dissertação do mestrado em Literatura luso-africana. Acho que encontrar-me com culturas diferentes do que escrevo/vivo como pesquisa, me fará crescer ao mesmo tempo que me permiti descontrair de forma prazerosa e autoconhecedora. Sinto que meus pêlos já começaram a se ouriçar, a lua está chegando. Preciso correr. Até a próxima noite!
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